sexta-feira, 20 de abril de 2012

renascer

Aquele momento em que o coração parece despertar da letargia cotidiana. 
Nessa fase os sentimentos mudam todos os dias e giram caleidoscopicamente em torno daquele sentimento maior, que não é nada certo, e por isso que ele é. 
O movimento espiral de todos os sentimentos bons e ruins que giram ao mesmo tempo em torno do sentimento maior produzem a energia que o alimenta. Fazem-no crescer e se tornar bonito, tão bonito que assusta, e às vezes se torna tão perfeito que precisa morrer, pois ninguém suporta olhar para ele. 
E depois da morte precisamos esperar por mais dois anos até que o Mundo Interior Sagrado esteja limpo e ele possa ser construído novamente.
A maioria das pessoas não acredita, mas ele pode ser comparado a Fênix, que ao morrer sempre coloca dois ovos, um branco, outro negro. Do ovo branco nasce uma nova Fênix, e do negro ninguém sabe o que nasce.
Ovos desses tipos, brancos ou negros, são extremamente raros.
Do ovo branco nasce um novo amor, do ovo negro nunca nasce nada. As pessoas devem carregar o ovo negro sempre consigo pra lembrar da sua primeira morte, pois são poucas as pessoas que não morrem. O ovo negro é o ovo do aprendizado, quem despreza um ovo negro acaba por colecioná-los, ou confundi-los com os brancos.
Nesse período a Anima se fortalece, acontece uma explosão de criatividade, e explosões constantes de energia modificadora, que podem ser usadas pro crescimento pessoal, contribuição social ou elevação espiritual, mas a maioria das pessoas não sabem disso.
Não precisa ser um mestre tântrico pra saber aplicar o amor, mas precisa acreditar. Aquela mesma fé sobre a qual os religiosos costumam falar, aquela que opera os milagres. Não tem nada a ver com alienação, ou fantasia, mas com o momento em que já se compreendeu a razão e então chega a hora de ir além , porque a razão não nos fornece todas as respostas, porque sabemos que possuimos outros sentidos ocultos subjetivos que ela não pode explicar, porque os sentimentos são inexplicáveis e tornam a lógica contraditória, faz-se necessário alcançar uma outra realidade, talvez Surrealidade pra poder continuar a busca.
Então caminhamos pelo caminho da fé, estando nele, é necessário abandonar os pré-conceitos racionais, se entregar e deixar ser levado até o Mundo Sagrado mítico, e aí você descobre o amor total devorador de vidas.  
A partir daí não tem mais volta.

sábado, 14 de abril de 2012

Queridas amigas

Minhas pequenas atrizes, cada uma a sua maneira
entre a angústia da dor ou da falta dela
fugindo e buscando amor
nos lugares mais profundos da alma 
no limiar raso do corpo
é quase masoquismo.
Estamos todas perdidas.
Eu queria poder proteger todas nós, como uma mãe faz com as filhas
eu queria que dependesse só mim
porque ninguém merece ser mulher
porque é lindo
mas não é compreensível, nem aconselhável
não é nem um pouco prudente nascer mulher nesse planeta de homens
não que eu não goste dos homens
mas sinto que o mundo está homem demais, e um homem machista.
Os homens precisam agir como homens para serem respeitados.
As mulheres precisam agir como homens para serem respeitadas.
Não tem nada a ver com feminismo
é só sobre poder abstrair sem ser mal julgada e condenada
é só sobre essa necessidade feminina de acreditar nos sonhos
que envergonha todas as pessoas.

Beautiful


But everyone she knew thought she was beautiful
Only slightly mental
Beautiful, only temperamental
Beautiful, only slightly mental
Beautiful

She thought it would be fun to try photography
She thought it would be fun to try pornography
She thought it would be fun to try most anything
She was tired of sleeping

quinta-feira, 12 de abril de 2012

caos racional

As pessoas estão assustadas, o tempo inteiro assustadas
ninguém percebe que isso aqui não vale nada.
Sobre viver, todos dormem acordados
e se esquecem de viver
ou vivem errado
porque procuram fazer o certo com as pessoas certas ao lado
diria apropriadas.
Eu não sou apropriada
não faço a miníma questão de ser e talvez por isso eu tenha me tornado apropriada
para a contra-mão do mundo, é claro.
As pessoas certas aparecem e não conseguimos reconhecer porque passamos muito tempo perdendo tempo, e nos magoando, com as pessoas erradas.
E as vezes mantemos compromissos com as pessoas do passado
porque não conseguimos aceitar o presente.
Deixamos o presente passar
as pessoas que devíamos ter amado
e o mundo continua esse caos racional bizarro.





segunda-feira, 9 de abril de 2012

O amor que devora

Na Grécia era Ágape
Até hoje, por todo o mundo, costuma roubar algumas vidas
Eu chamo de Estrela. 
Acho que outros já chamaram assim, mas não lembro agora das referências
É extremamente pesada, e se deixar cair mata 
E as vezes de qualquer jeito ela mata
A recompensa por carregá-la é a imortalidade
No Mundo Sagrado é claro
Mas o torna bastante popular no outro mundo 
As vezes vira mito
Egoísmo é tentar se proteger
No Amor que Devora não existe medo 
Existe um muro de solidão e pouca perspectiva de encontrar alguém forte o suficiente pra derrubar o muro
Porque quem derrubar vai ter que carregar a Estrela também
E quem ama não quer isso pra ninguém



quarta-feira, 21 de março de 2012

sombra

Nasci sozinha e sem poder querer fazer parte do coletivo dos padrões estabelecidos.
Então, comecei a questioná-los
Desde os pontos às rimas
Os objetos, os afetos e os desafetos e depois as sensações, os sentimentos e a percepção sobre tudo isso.
Eu falava de amor, mas descobri
que todo meu amor era ódio.
Mesmo negando, moro no Limiar do Desejo
E sozinha, como o próprio Desejo.
Cortejo o mundo dos sonhos e Sonho com o seu senhor, em construirmos juntos no real a projeção
Mas tudo é movido pelo Desespero, que se disfarça de ansiedade, mas é o Desespero que, há muito, tem me acompanhado.
E como não falar sobre Delírio, que tem sido tão amável, a ponto de me levar para viagens inesquecíveis pelos jardins do Destino.
Vagando pelo labirinto corro atrás do Deleite, sem conseguir alcança-lo.
Acabei de maõs dadas com a Destruição por cortejar a Morte
Mas minha Destruição não era de Morte, infelizmente.
O mundo não cabia em mim, por isso, decidi modifica-lo 
Por fazer parte de tudo eu me ataco
Eu sou a sociedade por ser a sombra da sociedade
O caminho de volta desapareceu
E no vazio eu mergulhei.

sexta-feira, 2 de março de 2012

ísis me entenderia

devo ser bonita
porque tenho muitos inúteis pretendentes
me lembro de pelo menos uns três que são consideravelmente aceitáveis
bonitos até
inteligentes
que me acham interessanteinteligentelegalbonitasensualemoderna
o par perfeito
aline de muitos flertes e nenhuma realização
que escreve textos feios e diretos  poéticos
que é maluca conceitual em todos os sentidos
que todos consideram lunática criativa
engraçado é chegar no melhor momento hormonal do mês
na melhor época do ano
da melhor fase da vida
e sentir frustração e saudades
lembrar da força que começou no olhar e foi se intensificando
e se transformou numa massa quase física envolvendo os corpos
era amor
e eu era realmente boa nisso
geraria um time de futebol se isso fosse fazê-lo feliz
e amaria a todos com o mesmo amor e cuidado
só por eles serem nossos genes misturados
nossa certeza de retorno
nossa certeza de reencontro
e valeria a pena retornar só pra reencontrá-lo
não me preocuparia com o despertar da kundalini 
beberia todos os dias do vaso de hermes e me embriagaria 
porque ele estaria comigo e estaria bem
hoje eu nem sei como ele está
faço do esquecimento exercício diário e quase consigo
escuto o chico cantar apaixonado outra vez
e lembro que o vi de perto 
e estava tão ótima que nem chorei
estava com tanta vontade de chorar que não chorei
meu amor é mpb
ou talvez seja bossa
e o amor dele combina com o meu
mas eu não posso falar sobre o ritmo
tenho que manter muitos segredos que eu considero inaceitáveis
pra vida dele continuar chata tranquila
pra minha vida continuar chata tranquila
mesmo eu não querendo uma vida chata tranquila
tento considerar todos os outros
estou tão vazia que chega a não ter espaço
não cabe ninguém
sei que são só pedaços fragmentos e cacos
mas eu ainda poderia colá-los 
é sexta a noite e eu estou com vontade de sentir de novo
sentimento mesmo
que controla as sensações
ou talvez seja o contrário
só sei que não aconteceu nada
a coisa idiota certa a fazer
mas acontece que esse mundo está ao contrário
ou talvez o problema seja eu

balada dos peixes e dos homens

O mar! O grande mar! O mar amigo e bom!
quando nasci já eras imenso e teu poder se estendia cais adentro
no azul infinito
mas sinto que cresceste comigo
dentro de ti de calças brancas mergulhei
deixei a saia amarela rodada de minha mãe
e corajudo te encarei
ainda menino com gambitos fininhos o teu embalo desfrutei
com os dedos enterrados na praia me deixaste
mas desde então me acompanhaste
e quando o velho Chico voltou aquela tarde
fedendo a cachaça, choro e morte:
- o mar levou teu irmão -
ainda assim nos amparaste
culpei o barco que virou
tormenta de vento e trovoada
barrigas vazias sobre a mesa
que escolha tinham meu pai e meu irmão?
é uma troca justa
vivemos da asfixia dos peixes
que são os filhinhos do mar
o mar vive do afogamento dos filhos dos homens
os pescadores
mas todos os dias
pela ganância dos velhos coronéis
o mar é mutilado
e mesmo não achando correto
muitas vezes famintos
oferecemos nossos braços pra remar os grandes barcos:
- braços e fomes não faltam na praia -
pelo menos dona Dalva quem levou foi a sezão
mas seu Francisco o mar levou pouco mais tarde
foram sempre muitos filhos e pouca comida
por todos meus irmãos que morreram no mar
e pelas irmãzinhas que tive que deixar
na casa de dona Valéria pra virar mulher da vida
choro um pouquinho toda tarde
e peço ao mar pra ser bonzinho 
e me levar também


*Texto escrito com todo carinho para minha amiga Letícia Ramos interpretar e apresentar no Museu do Mar.
** Inspirado no livro Homens e Algas de Othon D'Eça

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

volta

é, acabou
todo carnaval tem seu fim
apesar de não ter tido carnaval esse ano pra mim
muito antes do que eu gostaria
talvez mais tarde do que deveria
agora você nem lembra mais de mim
e pra quem nos conheceu
nunca nos conhecemos
eu nunca te disse o quanto gostava 
eu nunca gostei de você
não mais do que deveria
as vezes eu me arrependo sabe
é que as vezes é tudo tão triste
ainda não encontrei outro você pra preencher o espaço vazio
continua vazio
mesmo sabendo que em ti nunca houve espaço vazio
ou houve
porque os teus olhos me reconheceram
e aí não tinha como fugir do vazio
é sempre uma alegria e uma tristeza
e por evitar maiores tristezas 
evitamos também as alegrias
hoje eu vou tentar estar bonita
pro caso de eu te encontrar na rua
vou retomar a dieta
vou estudar fenomenologia e semiótica
vou ficar em casa
mesmo sabendo que estão todos no bar
que segunda é meu aniversário e eu não vou comemorar
não fique triste pelo dia de hoje
somos de peixes
eu queria só por hoje ou por segunda voltar aquele mundo
mas as coisas já não são o que eram
e estou aqui me distraindo com os artigos
você está por aí enganando o tédio com a intensidade da arte
que eu não ouso ver de perto
e vamos vivendo
nem felizes nem tristes
por mais um ano
só vivendo



sábado, 18 de fevereiro de 2012

perversão

do sentido do verso estou inconvicta
apesar de ele não estar mais por perto
de longe ele te chama
e usando a força te traz pra perto
e vem e te segue
até o ponto de ônibus
dentro do ônibus 
usando o poder que recebeu do universo
a força do homem
ele te pega
e de longe você ainda sente
como se ele estivesse por perto
desviou do que era verso
se tornou dentro de ti um perverso
cada vez que teus olhos se fecham
ele ainda te fere
e sempre foi assim
o inverso, perverso, diverso, sempre fez parte do verso
precisamos dos demônios
pra evitar o caos
ou a monotonia
pequena vítima da queda
o mundo te machuca usando o membro daquele renegado pela espécie
a antítese do homem correto
mas ainda homem
conhecemos o teu segredo
ó homem
e ainda assim deixamos que satisfaçam seus desejos profanos
em nossos corpos 
e pouco nos importamos
estamos condenadas a eles e a vós
alguns dizem que nós mandamos no mundo
porque geralmente podemos escolher
mas somos escravas do universo
gostam de quando fingimos gostar
mal sabem eles que sentimos vergonha
tédio, angústia e nojo do universo
com todos seus versos tortos 
que contrariam para tornar pleno
que contrariam pra criar o belo


sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

16 - 02 - 2012

Houve um terremoto, mas era mais que isso, era o fim do mundo
Um apocalipse
Estava em uma casa com outra mulher, minha irmã talvez, e um bebê
Talvez fosse meu filho, ou filho da outra mulher
Lembro que não podíamos caminhar, tudo continuava desmoronando
Consegui entrar no quarto onde estava o bebê
Ele tinha caído embaixo da cama
Mas estava vivo
Saí para a rua e me equilibrei em um murinho que era sólido
Enquanto o mundo continuava desabando
Desmoronando
Pessoas começaram a aparecer nos muros
Pessoas nuas e desnutridas
Então o mundo mudou
Era Idade Média, tinha um castelo
Mulheres com vestidos e cabelos compridos
Cavalos enormes, muito maiores do que os que existem hoje
Eram cavalgados por meninos
Mas o mundo continuava desmoronando
Só que mais devagar agora
Minha irmã continuava existindo e acho que ela era a rainha
Em um mundo que não tinha rei
Não era possível proteger todas as pessoas
As pessoas que tinham problemas deveriam morrer
Eu não queria deixar, tentei impedir
Ou tentei me esconder, era insuportável
Acho que eu tentei esconder alguém, que tinha algum problema físico
E outra mulher entrou no nosso esconderijo, ela tinha Síndrome de Dawn
Eu corri muito
E elas estavam atrás de mim
Eu vi os meninos nos cavalos
E tinha uma outra mulher idosa, que era o carrasco
Ela ordenava as mortes em cima de um palco
Eu corri até ela, enquanto ela ordenava que matassem as mulheres
A que eu tentava esconder morreu primeiro
Enquanto eu explicava pra senhora quem eu era, e quem era minha irmã
E ela sorria como uma velhinha bondosa, dizendo que me conhecia, que sabia quem eu era e que eu não precisava me preocupar
Enquanto isso os cavaleiros, cumprindo as ordens da velha
Matavam a mulher com Síndrome de Dawn, e ela gritava
Eu estava deitada no chão do palco com o rosto escondido e chorava
Eu não suportava ver aquilo
O cavaleiro matava a mulher com uma lança ou uma espada
E ela tentava fugir, ela lutava e gritava
E eu gritava e chorava
Doía não poder fazer nada
Enquanto o mundo continuava desmoronando
E vinha minha irmã até mim montada num cavalo
Eu a culpava eu acho
Mas eu sabia que logo começaria a faltar comida

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

aversão e letargia

fique longe do meu sexo
um dia acordei e não encontrei nada 
estava muito assustada com os olhos fechados 
deixa eu te falar 
te explicar porque escrevo
não me cobre nada
nem tenta entrar comigo no banheiro da balada
sofri o mal de ter acordado
não me deseje
sou fumaça de cigarro suave elegante de cravo
neguei o existencialismo
luto contra a verdade
me destruirá quem me tocar 
sou frágil
sou a mais forte de todas
porque sou intocável
egoísmo e  mães que não amam os filhos
porque não amam
não se preocupe com as coisas concretas
ou se preocupe
inconsciente compartilhado
eu gosto do abstrato 
contrabando de amor
fechei meus olhos e fingi
mas o movimento hippie quase deu certo
vai tudo óbvio e chato
tudo culpa do sexo
não se aproxime
nos deram o poder e esquecemos do resto
não seja um animal sexual mesquinho
chame baixinho
sou como os gatos
me faz por favor esquecer de setembro
eu não acredito em dinheiro
e acredite
mesmo que seja no acaso
na vida em comunidade desafiando os deuses
mas todos dormem 
grandes amores
grandes e fracos
me mostre o seu mundo
mesmo que seja em sonho
mas por favor não invada o meu

domingo, 12 de fevereiro de 2012

tão real e rompimento

falsa sou eu porque faço amor sem vontade
falsa sou eu que não sou capaz de viver a realidade
sou uma arquiteta de sonhos, não faço por mal
nasci assim
ou sou assim desde que me lembro
talvez tenha sido por culpa do Vento
era gelado e eu divaguei
me perdi nas praias do Tempo
nos confins do Sonhar
me apaixonei pelo Sonho
e construí um castelo com areia
não me surpreenderia se fosse aqui e agora
me disseram que os artistas moram em outro lugar
não sou artista, mas sou uma pesquisadora criativa
não sou capaz de trazer nada do mundo dos sonhos
mas posso entrar lá
e posso ensinar o caminho
o Mundo Sagrado é o o que importa
é o mundo real
pouco importa o Mundo Profano
não sabemos o que fazer com ele
ninguém nunca soube
alguém disse que a diversão é aversão ao Universo
foi Flusser que disse, e eu chorei
porque ele estava certo
estamos decadentes
no mesmo mundo, no mesmo tempo
e cada um no seu mundo
no seu próprio tempo
hoje é Delírio antes era Deleite
todos tem medo de compartilhar seus mundos
compartilhei uma vez
algumas vezes talvez
mas só me lembro da última
e é ainda muito recente
me faz sofrer lembrar, mas faz-se necessário nesse registro
lembrar de quem morreu e foi enterrado na praia
eu mesma cavei o buraco
e o enterrei na areia

sábado, 4 de fevereiro de 2012

muito pouco

não, eu não vou tentar limpar meu nome
não vou apagar a pixação
por mais que me entristeça o julgamento
ainda é muito pouco
muito pouco para desmentir as mentiras
retalhação ou um tapa na cara
por mais que tenha procurado por isso
por mais que tenha me pedido nada sutilmente incontáveis vezes 
minha paciência não tem limites
com coisas sem importância
a opinião de vocês sobre mim é sem importância
nunca foi dos meus
percebeu que não poderia ser, nunca seria
por mais que se esforçasse 
entre meus queridos nunca conseguiu estar
desculpa, eu não escolho
eu só reconheço
e me entristeço sim, pelo que levou contigo
eram queridos, mas não eram meus

domingo, 22 de janeiro de 2012

natureza

Gosto, que me sintam todas as partes
com as mãos
antes de me encostar a língua
em todos os lugares que não são a boca
Na boca
eu quero sentir todo o gosto
da pele, do lábio e do corpo
daquele que tiver o cheiro certo
Correto
é amar e amar feito louca
sem querer, sem pensar, sem poder
Desistir
do que foi e será sempre certo
Amor
na verdade não tem nada a ver
é só palavra de sentido incerto
incorretamente atribuído
ao impulso que nos trás a vida
e faz
morrer
porque antes dele não havia morte
Eramos
e eramos todos unidade
nos dividíamos continuávamos sendo unidade
do que agora é apenas metade
de um todo com todas as partes
que faz viver 
depois morrer

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

20 - 01 - 2011

Há uma garota dentro de um tanque de guerra, ela tem a pele muito branca e agulhas por todo corpo, como se algum tipo de substância estivesse sendo injetada, e alguém está com ela, e ele é perverso e diz que ela é a escolhida.
Há também uma senhora, deve ter mais de 60 anos, e possuí como companheiro um pequeno macaco.
A garota aparece novamente, ela é muito jovem e está com um homem, não é o mesmo da cena anterior, este outro homem a beija carinhosamente, a toca com todo cuidado, o homem a ama. 
Ela olha pra ele como se não o reconhecesse, solta uma rugido de animal felino, se transforma e o ataca.
A velha senhora está com o macaco, ela se prepara para tomar banho, enquanto o macaco, educado como humano, usa o vaso sanitário. 
Alguma coisa muda no macaco, agora ele é selvagem e a ataca, mas ela consegue dominá-lo, o atira na privada, e depois no ventilador, e quando chega socorro, todos se surpreendem ao ver o que a frágil senhora fez com o animal.
A idosa pega o carro, e acompanhada de uma amiga vai visitar uma fábrica antiga e abandonada, onde existem quatro vestidos pendurados, ela relembra o tempo em que foi a escolhida, e percebe que duas das donas dos vestidos pendurados, já não vivem mais, e chora.
A senhora retira os vestidos velhos do varal.

domingo, 15 de janeiro de 2012

evasão

é como parecer ser e não ser nada;
das coisas que todos querem ser, e ao mesmo tempo não querer, e não querer que ninguém saiba.
é como lutar com todas as forças sem querer vencer;
na luta do amor e da vida, a companhia dos mais queridos ver perecer, pra não deixar que ninguém caia.
é como dormir de máscara;
e não conseguir suportar o próprio orgulho, querer arrancar tudo, e se arrepender e ficar no meio termo, sem conseguir nada.
é como assistir o próprio corpo se movendo;
saber que seria ótimo estar ali, mas não conseguir voltar a tempo.
é como ter tudo tão perfeito que deixa de ter sentido;
talvez por não conseguir aceitar merecer, e querer merecer, mas não poder fazer nada sobre o não conseguir.

domingo, 1 de janeiro de 2012

Comprei um caderninho, desses sem linhas, papel envelhecido, caderno de desenhar, mas tenho certeza que vou usar muito mais pra escrever, quando eu conseguir escrever.
Talvez eu o transforme em um diário de sonhos, se eu conseguir voltar a lembrar deles...mas acho que consigo, agora que outro ano começou as coisas vão melhorar, não que estivessem ruins, sabe, acho que estava esperando ano passado acabar, não sei muito bem porque.
Teve um dia que eu decidi excluir o blog, me senti ridícula, queria parecer mais forte, menos sensível. O que eu escrevo me envergonha as vezes, porque é o que eu sinto e é tão meu que acaba sendo ridículo, platônico e impossível.
Um dia eu decidi esquecer, aconteceu sabe, arrumei muitas atividades, muitas mesmo, já não podia continuar daquele jeito, se passaram quase dois anos, é muito tempo, então resolvi esquecer mesmo, e aí eu já não tinha mais o que escrever, tentei, comecei vários textos que ficaram salvos como rascunho mas eu não posso publicar, perdi o jeito com a literatura, não são mais bonitos.
Talvez eles se tornem diretos e objetivos como este a partir de agora, talvez eles parem de vez.
Tudo que eu sei é que não posso excluir, não tenho coragem de reler, nem os textos nem os e-mails e nem de carregar a bateria do meu celular antigo pra ler as mensagens, eu nunca releio nada, desde a sétima série quando eu e minha amiga trocávamos cartas, ainda tenho todas guardadas mas não consigo reler.
E quase consegui parar de reviver os bons momentos, as vezes eu os transformo em fumaça, mas vou parar com isso também, pelo menos por um tempo, acho que vai me ajudar a lembrar dos sonhos com detalhes novamente, talvez eu até consiga ficar consciente dentro deles de novo.
Acho que esse ano vai ser bom, ainda tenho muitos planos, ainda acredito muito.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

vou até a esquina ela quer ir...pra Budapeste!

Estive em Curitiba esse final de semana, para super esperado show do Chico Buarque, que integra a turnê Chico, o título do seu novo cd lançado em julho desse ano. 
Chico esteve por 6 anos sem fazer shows, a última turnê aconteceu em 2006 com o lançamento do álbum Carioca. 
Apesar de já ter lançado mais de 40 discos, nos últimos 36 anos, Chico saiu em turnê apenas seis vezes: Chico e Bethânia (1975), Francisco(1988), Paratodos(1994), As Cidades (1999) e Carioca (2006).
Deu pra perceber que para aqueles que, como eu, acompanham o trabalho do Chico, foi um show raríssimo e muito especial.
Confesso que eu só percebi a dimensão daquele momento quando Chico entrou no palco, mais simpático e animado do que eu esperava, cumprimentou a platéia e começou a cantar. 
O Chico falando é tão bom de ouvir quanto cantando, voz grave, firme e segura, ele parecia estar muito a vontade no palco.
Pra mim, que sou extremamente cafona romântica, a parte mais emocionante do show foi quando ele cantou as 4 músicas do novo cd que estão relacionadas com o seu romance atual com a cantora curitibana Thaís Gullin. 
Essa Pequena, Tipo um Baião, Se eu Soubesse e Sem Você 2, foram cantadas na sequência, por um Chico sorridente e evidentemente apaixonado. Na música Essa Pequena, Chico brinca com a letra trocando Flórida por Budapeste "vou até a esquina ela quer ir pra... Budapeste!" denunciando os novos planos da namorada e surpreendendo a platéia, que aplaudiu contagiada pela franqueza da brincadeira.
Se Chico Buarque fosse uma cor ele seria azul, quem acompanha o Aponta deve ter percebido que essa é a minha cor preferida pra pessoas do sexo masculino. 
Chico passa uma energia boa, tranquila e forte, serena e vibrante. Aos 67 anos, canta músicas de amor sorrindo e rindo, aceitando com amor a paixão por uma mulher muitos anos mais jovem " Sinto que ainda vou penar com essa pequena, mas o blues já valeu a pena " e ele dizia que valeu a pena com muita convicção, foi lindo.

Achei que nunca fosse ver Chico cantar músicas como A Violeira, Geni e o Zeppelin, O meu amor/ Teresinha, Injuriado e Ana de Amsterdã, que são algumas das minhas preferidas, ele cantou com muita emoção, e errou algumas letras, mas acho que ninguém se importou.
No final, Chico e banda saíram duas vezes do palco, com a galera pedindo pra ele voltar, e ele voltou por duas vezes, nada que estivesse fora do previsto, pois depois as cortinas foram fechadas e as luzes acesas, pois se dependesse do público Chico continuaria cantando até não conseguir mais!
A banda também esteve maravilhosa com Luiz Cláudio Ramos (violonista e arranjador), João Rebouças (piano), Bia Paes Leme (teclados e vocais), Wilson das Neves (bateria), Chico Batera (percussão), Jorge Helder (contrabaixo) e Marcelo Bernardes (flauta e sopros), que já acompanharam Chico na turnê Carioca.

Foi emocionante, memorável, tudo de bom, agradeço por existirem pessoas como Chico Buarque, capazes de compor canções tão bonitas e sensíveis que fazem com que a gente sinta o poder que as emoções tem sobre nós, e o quanto isso pode ser maravilhoso.
E a mensagem que ficou foi "Não se afobe não, que nada é pra já, amores serão sempre amáveis..." e o Chico dá o exemplo.