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quinta-feira, 4 de outubro de 2012

porque nunca olhei nos seus olhos

Há uma casa, pequena, dois cômodos apenas. Móveis antigos, muito antigos, rabiscos na parede, alguns são desenhos, outros apenas rabiscos, e palavras, algumas conversas, e-mails antigos, muitos livros, todos empoeirados, a maioria pocket por serem mais baratos, todos eles amontoados entre as roupas velhas jogadas pelo chão da velha casa. 
Muito velha casa, que já foi a casa de algumas pessoas, houve dois moradores uma vez. Dessa época, restaram algumas manchas de sangue na parede, vidros quebrados nas janelas, colados com fita adesiva, nenhuma lembrança, mas algumas coisas queimadas. Um velho poema de amor, peças de teatro nunca assistidas, segredos íntimos de família, uma carteira de identidade, e uma menina linda e muito amada, chamada Sophie. 
Todos queimados e trancados no porão.
Há também um porão, ou havia, ele se perdeu da memória e  por isso é como se jamais tivesse existido. 
Houve uma vez três amigos, nesta época havia muito vinho, alguma cerveja e as pessoas que passavam em frente à casa podiam ouvir as músicas do Radiohead, às vezes Los Hermanos, que talvez parecessem tristes, mas ali, e talvez só ali, eram alegres e acompanhadas de dança e sorrisos. Não houve muito mais do que isso, ficou apenas um DVD de formatura, um livro do Dostoiévski, acho que era Crime e Castigo e duas fitas de renda, uma laranja outra cor-de-rosa.
Logo depois vieram as cores, todas as cores em nós e passaram, ficaram por pouco tempo e passaram. As portas, que já estavam fechadas quando as cores chegaram, foram trancadas e suas chaves esquecidas, perdidas no meio da mobília, da sujeira e dos livros.

Uma casa de passagem, uma casa de um só morador, que carrega a casa nas costas e passa.

Por ser interminável sua passagem todos que entraram também passaram, e por isso, e só por isso, ninguém mais conseguiu entrar.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

de olhos fechados

o mundo não tolera os desobedientes e é preciso ter força eu sei que a gente não tem força e nem queria estar aqui e só podemos fechar os olhos só podemos não pensar pra nos proteger mas não podemos evitar nunca mais poderemos evitar mais continuamos fechando os olhos e nos tornamos como esgoto cheio de dejetos de nós e dos outros e temos muitos espelhos quebrados cansados estamos de respirar e continuar mas temos sorte alguns tem menos sorte mas não podemos fazer nada fechamos os olhos continuamos em frente de olhos fechados pra não cair de olhos fechados pra não morrer de olhos fechados continuamos andando pois abrir os olhos é parar de caminhar e o mundo não o mundo não tolera pessoas paradas desobedientes o mundo é dos espertos
Uns são mais sensíveis, outros menos, isso é tudo.
Lembra quando você me disse que gostaria de fazer alguma coisa realmente importante? Tipo a diferença no mundo, lembra? Fico pensando nisso as vezes, nas decisões que tomamos as cegas, sobre se relacionar sem saber o motivo, sobre como criamos e destruímos as coisas, bonitas e também as feias.
Claro, claro, te admiro e te amo por você pensar em coisas boas, ver o mundo como um lugar a ser concertado, pessoas como frágeis vítimas da crueldade das outras pessoas e do sistema, acho bonito, sério mesmo, acho bem bonito essa tua ingenuidade.
Queria voltar a ser assim, tu que és parte de mim sabe, que eu desejaria nunca ter nascido, dessa maneira tão lúcida, pois como sabe, já não sou capaz de atribuir a culpa a algo tão abstrato quanto o dinheiro e o poder, ou mesmo às pessoas de má índole, e nem às pessoas de modo geral, como acontecia anteriormente. Penso que essas pessoas, humanas, nós, não temos culpa daquilo que nos move e nos orienta para o eterno construir e destruir, simplesmente o fazemos, é a nossa natureza, conforme fomos feitos, como isso aconteceu? não sei, talvez tenha sido mesmo Deus, e nesse caso ele é o culpado, colocou no meio do nosso lindo jardim a consciência, fruto proibido do pecado. Fomos criados cheios de medos e de desejos a serem saciados, é a nossa natureza, nossa essência, assim como animais, como um tigre que mata inocente aquilo que o alimenta, como um verme  que inocente parasita seu hospedeiro. E nunca sentem-se culpados.
Reconheço a diferença, a consciência, perdemos a pureza animal, perdemos a inocência e olhamos para todos os lados, vemos o futuro e o passado e choramos, por nós e pelos outros, pelo nosso estrago e pelas nossas vítimas e conscientes que somos, só somos capazes de sofrer, por nossos eternos pecados.






quarta-feira, 5 de setembro de 2012

eterno

Enquanto procuro pelas paredes, onde eu possa bater com a cabeça, ela dança suave, como se aquele estranho vazio, tivesse sempre sido seu lugar.
Não há nomes para todos que passaram, passam e passarão. É eterna a repetição apesar dos diversos versos dispersos em mudança continua e inútil, como se na verdade mudar ou não, não importasse, mas ainda assim, completasse o sentido para toda aquela, e esta, ilusão indissolúvel.

No início, importava compreender, então parou de fazer sentido, pois sentir tornava-se o mais sensato a se fazer. Após terem passado muitas Eras do compreender e do sentir, elas, que costumavam alternar-se, resolveram se fundir. Então tudo ficou branco e colorido, não temos mais tempo para sentir ou conhecer, pois fazemos tudo isso ao mesmo tempo inteiro sem conseguirmos parar a roda que roda cada vez mais depressa, faz estrago e faz maravilhas.

Cansado de ser triste, já não pode ser feliz ou acreditar na vulgaridade das alegrias, mas muito cansado está pra continuar sendo triste e solitário. Sabe algumas coisas, percebe as pessoas, suas dores por seus amores lhe parecem triviais, não se compadece mais por essas dores, não se compadece mais. Ainda assim, não conhece outra forma de confortar-se, se não pelo alívio das dores alheias.
Passou a vida sentindo-se enojado diante da Alegria, prostituta promíscua, vulgar e tola. Nenhuma mulher era tão bela quanto todas as mulheres tristes, talvez apenas as loucas, que deixaram a tristeza ao chegar à loucura. Teve tanta dor na vida, que tudo que sempre pensou foi na dor dos demais, pois podia confortá-la com seu abraço, segurando-as em suas mãos, compartilhando soluços, suspirando de beleza e emoção. 
Como sempre desejou que tivessem feito consigo.

Eis a calmaria
Onde procuro te agradar de mãos vazias
Respiro e me sinto tranquila por te ver simples e desprotegida, como eu estava antes de te ver e resolver ser forte pra te proteger.
Pessoas se misturam aos verbos, e tão subjetivos quanto o amor e a fantasia me vêem os versos. Olhares tranquilos nesses todos olhos cansados entre-abertos.
Turbilhões de bombas físicas explodiram por muitos anos até esgotar todo o desejo.
E desejamos agora o não desejo.
Luta vã e desespero morreram nos meus olhos, e nos seus, pouco se manifestam, mar de calma e nostalgia nos seus lindos olhos tranquilos e também nos meus olhos, recém despertos.

Penso em te acalmar em mim, em me acalmar na tua calma algum dia e segurar na tua mão como fosse um infinito meio, sem fim e sem início.
A comunicação por palavras é traidora, nem os gestos e os sinais dão conta, tornam tudo demasiado forçado, tanto que não vale mais a pena, como o tudo que se repete até tornar a ser nada.

como tudo o mais


quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Es muß sein

...

...

Força: Qualquer causa capaz de produzir ou acelerar movimentos, oferecer resistência aos deslocamentos ou deformar os corpos.

No tarot encontramos a Força como um dos arcanos maiores, relacionada ao altruísmo. O forte no tarot é aquele que toma conta da própria vida, que se responsabiliza por seus atos, tem noção dos seus instintos e é capaz de resistir a eles. Ou seja, os fortes são aqueles que resistem ao Es muß sein.

Aleister Crowley acreditava no Es muß sein, a lei da vontade. Mas para o mago, a consciência da lei era ao mesmo tempo a libertação e a eterna prisão do ser humano. A partir do momento que você passa a seguir a sua vontade e nada além da vontade você se torna um escravo dos seus instintos, ou seja, um fraco.
Para ser considerado forte, é necessário resistir a lei da vontade, e é muito mais agradável ser forte, com todos os belos egocêntricos atributos que possuem os fortes. Altruísmo, resistência, amor ao próximo. Mas a vida sendo forte, para algumas pessoas mais sensíveis, não é suficiente, a sensação de sacrilégio é mais forte que a resistência. 
Percebemos então o paradoxo entre forças e fraquezas, e entre liberdade e escravidão.
Ser fraco é muito mais difícil que ser forte. Ninguém admira uma pessoa fraca. Os fracos são vistos como inconsequentes, hedonistas e até egoístas. Por esses motivos, é preciso muito mais coragem para ser fraco do que para ser forte, é preciso estar disposto a viver sem nenhuma garantia de admiração ou amor, é preciso confiar ingenuamente no desconhecido.
O que alguém sabe sobre si mesmo? Será possível conhecer-se a partir das construções psicológicas influenciadas por vários fatores sociais e principalmente morais que recebemos desde a infância? 
A vontade, o instinto e o subjetivo, muitas vezes inexplicável, é o puro. O único vestígio da pureza que perdemos.
Pensando assim a fraqueza parece muito mais forte que a força, e talvez, devesse ser chamada de força e admirada, por ser a busca corajosa pela pureza perdida.
Então esse novos fortes, antes considerados fracos, jamais podem ser chamados de escravos. O Es muß sein não é uma imposição externa, pelo contrário, trata da unica verdade, intrínseca a essência daquele que a segue. Pode alguém ser escravo de si mesmo? Não vejo como. Os novos fracos, ex fortes, são também os novos escravos, de um Eu moralista disfarçado, que na realidade é hipócrita e profano. 


quarta-feira, 21 de março de 2012

sombra

Nasci sozinha e sem poder querer fazer parte do coletivo dos padrões estabelecidos.
Então, comecei a questioná-los
Desde os pontos às rimas
Os objetos, os afetos e os desafetos e depois as sensações, os sentimentos e a percepção sobre tudo isso.
Eu falava de amor, mas descobri
que todo meu amor era ódio.
Mesmo negando, moro no Limiar do Desejo
E sozinha, como o próprio Desejo.
Cortejo o mundo dos sonhos e Sonho com o seu senhor, em construirmos juntos no real a projeção
Mas tudo é movido pelo Desespero, que se disfarça de ansiedade, mas é o Desespero que, há muito, tem me acompanhado.
E como não falar sobre Delírio, que tem sido tão amável, a ponto de me levar para viagens inesquecíveis pelos jardins do Destino.
Vagando pelo labirinto corro atrás do Deleite, sem conseguir alcança-lo.
Acabei de maõs dadas com a Destruição por cortejar a Morte
Mas minha Destruição não era de Morte, infelizmente.
O mundo não cabia em mim, por isso, decidi modifica-lo 
Por fazer parte de tudo eu me ataco
Eu sou a sociedade por ser a sombra da sociedade
O caminho de volta desapareceu
E no vazio eu mergulhei.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

vou até a esquina ela quer ir...pra Budapeste!

Estive em Curitiba esse final de semana, para super esperado show do Chico Buarque, que integra a turnê Chico, o título do seu novo cd lançado em julho desse ano. 
Chico esteve por 6 anos sem fazer shows, a última turnê aconteceu em 2006 com o lançamento do álbum Carioca. 
Apesar de já ter lançado mais de 40 discos, nos últimos 36 anos, Chico saiu em turnê apenas seis vezes: Chico e Bethânia (1975), Francisco(1988), Paratodos(1994), As Cidades (1999) e Carioca (2006).
Deu pra perceber que para aqueles que, como eu, acompanham o trabalho do Chico, foi um show raríssimo e muito especial.
Confesso que eu só percebi a dimensão daquele momento quando Chico entrou no palco, mais simpático e animado do que eu esperava, cumprimentou a platéia e começou a cantar. 
O Chico falando é tão bom de ouvir quanto cantando, voz grave, firme e segura, ele parecia estar muito a vontade no palco.
Pra mim, que sou extremamente cafona romântica, a parte mais emocionante do show foi quando ele cantou as 4 músicas do novo cd que estão relacionadas com o seu romance atual com a cantora curitibana Thaís Gullin. 
Essa Pequena, Tipo um Baião, Se eu Soubesse e Sem Você 2, foram cantadas na sequência, por um Chico sorridente e evidentemente apaixonado. Na música Essa Pequena, Chico brinca com a letra trocando Flórida por Budapeste "vou até a esquina ela quer ir pra... Budapeste!" denunciando os novos planos da namorada e surpreendendo a platéia, que aplaudiu contagiada pela franqueza da brincadeira.
Se Chico Buarque fosse uma cor ele seria azul, quem acompanha o Aponta deve ter percebido que essa é a minha cor preferida pra pessoas do sexo masculino. 
Chico passa uma energia boa, tranquila e forte, serena e vibrante. Aos 67 anos, canta músicas de amor sorrindo e rindo, aceitando com amor a paixão por uma mulher muitos anos mais jovem " Sinto que ainda vou penar com essa pequena, mas o blues já valeu a pena " e ele dizia que valeu a pena com muita convicção, foi lindo.

Achei que nunca fosse ver Chico cantar músicas como A Violeira, Geni e o Zeppelin, O meu amor/ Teresinha, Injuriado e Ana de Amsterdã, que são algumas das minhas preferidas, ele cantou com muita emoção, e errou algumas letras, mas acho que ninguém se importou.
No final, Chico e banda saíram duas vezes do palco, com a galera pedindo pra ele voltar, e ele voltou por duas vezes, nada que estivesse fora do previsto, pois depois as cortinas foram fechadas e as luzes acesas, pois se dependesse do público Chico continuaria cantando até não conseguir mais!
A banda também esteve maravilhosa com Luiz Cláudio Ramos (violonista e arranjador), João Rebouças (piano), Bia Paes Leme (teclados e vocais), Wilson das Neves (bateria), Chico Batera (percussão), Jorge Helder (contrabaixo) e Marcelo Bernardes (flauta e sopros), que já acompanharam Chico na turnê Carioca.

Foi emocionante, memorável, tudo de bom, agradeço por existirem pessoas como Chico Buarque, capazes de compor canções tão bonitas e sensíveis que fazem com que a gente sinta o poder que as emoções tem sobre nós, e o quanto isso pode ser maravilhoso.
E a mensagem que ficou foi "Não se afobe não, que nada é pra já, amores serão sempre amáveis..." e o Chico dá o exemplo.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Carta ao Azul sobre o Verde

Querido Azul,
Te escrevo porque ultimamente tenho pensado muito no Verde, e confesso que em você também. 
Da vez mais recente em que estive com ele, apesar de sua aparente segurança e firmeza senti uma falta no ar, você sabe como eu sou, eu sinto as pessoas. Verde estava lá, mas estava ausente apesar do sorriso no rosto, e havia dor nos olhos, a dor de quem teve que fazer escolhas, e escolheu o que era certo, do mesmo jeito que nós dois, mas pior, porque o que Verde achava que era certo,era só o certo da absurda razão irracional que domina o mundo.
Do mal da escolha feita as pressas sofre Verde calado, ao lado daquele Amarelo, que poderia ser rosado com aquela ridícula fofura, característica de mulher ciumenta que marca o território obrigando o objeto do seu apego, no caso nosso amigo Verde, a demonstrar o que ele não sente, mas pensa que sente porque tem medo. 
Tem medo do que eu sempre gritei aos quatro ventos, e é normal temer, porque dói, ser livre é um processo muito doloroso e solitário.
Doloroso demais até pra você, ou principalmente pra você, meu bonito Azul, que deve ter um ascendente em taurus pra conseguir se acostumar tão fácil, tão calmo. 
Acho que é efeito do Cinza, de toda aquela paz entediante, que nem você aguenta mais, mas ainda assim é passivo demais pra ter coragem de sentir a dor que a liberdade exige.
Me lembro quando eu contei a vocês pela primeira vez, que as coisas poderiam ser diferentes, e vocês riram um riso gostoso de quem quer mudar, mas acha absurdo demais, achavam que era só pra mim, mas meus queridos, não tem sentido se vocês não vierem comigo.
Eu sei que preciso ficar longe agora, por isso Azul, por favor cuide do Verde, diga a ele, que estarei aqui se ele quiser voltar, ele é meu irmão-mais-que-irmão e isso nunca vai mudar.
Paz Profunda


Ass: Roxo



terça-feira, 6 de setembro de 2011

aquele que foi mas ainda está

paixão me enganou por muitas vezes, achava-a tão bonita que fazia de tudo para agrada-la, fazia tanto que deixava de ser. 
paixão me anulava.
não sabia eu, que mesmo paixão, pra permanecer o que costuma, costuma precisar de duas vidas, se uma das vidas deixa de ser, paixão não consegue mais estar, nem pelo curto espaço de tempo que ela costuma ficar até desaparecer.
e desaparece fácil. 
pra mim costumava ser ainda mais rápido.
quando a paixão começa com vinte e quatro horas pra acabar não existe tempo, o tempo que é o inimigo, não pode nada contra a falta dele mesmo.
vinte e quatro horas e serenidade vinte e quatro horas e intensidade.
afinidade, que antecede a vontade que provoca paixão e que leva a loucura pelo tesão, e não acaba assim, continua no dia seguinte com beijo de bom dia, e o dia todo de carinho, dormir juntinho e a noite mais tesão.
não dormir mais até a hora de ir embora, não pensar, não chorar e não sofrer, porque simplesmente foi lindo, e só foi tão lindo porque foram vinte e quatro horas atemporais, que permanecerão pra sempre.
e quando pensarmos em amor, quando duvidarmos dele, lembraremos daquelas vinte e quatro horas.
pros românticos de verdade, mais vale vinte e quatro horas de intensidade do que uma vida inteira de estabilidade. 

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Todos nós


" você não é assim" como assim ?
" você sabe sobre o que estou falando" não, eu não sei.
" suas atitudes" ah isso...
" sim, você só está magoada " você não sabe de nada.
" eu conheço você, sei como se sente " não, você não me conhece e nem desconfia sobre como me sinto.
" não fala assim, eu gosto de você, quero te ajudar " eu não preciso de ajuda, entenda.
" você precisa ser mais feliz " isso não existe! vocês são loucos.
" todos querem ser felizes Aline, porque você tem que ser diferente o tempo todo? " todos, eles e vocês estão loucos.
" é só você querer, por favor... " nós não nascemos para ser felizes Deoris.
" você sabe que é possível Aline " você fala em parecer feliz, parecer ter uma vida maravilhosa com amigos maravilhosos, descolados e artistas, homo ou bissexuais. Não comer carne, ou comer carne demais, não beber, não fumar e não foder, ou beber fumar e foder demais. te incomoda eu não conseguir manter o padrão de comportamento que está na moda, ou conseguir e não querer mostrar.
" não é verdade Aline, somos livres pra fazer ou não, todas essas coisas " sim, somos livres e na minha liberdade de ser o que eu quiser, escolho ser assim, mas não quero parecer, quero ser, existe uma diferença bem grande, não preciso que todos saibam.
" mas você não precisa esconder nada!  eles tem que aceitar você! " você é louca, você não conhece amor você só conhece ego.
" não te entendo. " você é criança ainda, muitos dos seus pensamentos eram meus pensamentos quando eu tinha 15 anos, hoje as coisas mudaram, um dia vão mudar pra você também. 
" o que faremos até lá ? " vamos tentar parecer descoladas, bonitas e sensuais, pagar-pau pros caras descolados, bonitos, designers, de preferência que toquem em alguma banda, quanto mais famosa melhor. seremos mais duas de suas tietes alternativas, então faremos sexo com eles e nos sentiremos vazias, lágrimas virão aos nossos olhos pois ainda somos sensíveis, eles nos deixarão e nossos amigos queridos nos abraçarão e ouvirão nossos medos e dores, depois tiraremos fotos tristes, postaremos frases tristes no facebook, escreveremos textos de pura dor nos nossos blogs, e nos recuperaremos, e então começaremos tudo de novo.
" mas não era exatamente o que você não queria fazer Aline ? " Deoris, minha querida, não me leve tão a sério, não leve nada a sério, não importa o que faremos, estamos aqui, vivemos, temos que fazer algo, só não venha me cobrar um significado. 

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Sensibilidade


A sensibilidade está na água. A sensibilidade está no corpo, no coração e no espírito.
escorpião, câncer e peixes.
três peixes podem nadar felizes tanto em um aquário quanto no rio, ou no mar.


a sua doçura é desse mundo babe, o seu carinho é tão real, tão humano.
eu acho bonito mas não sinto, não posso sentir nada igual.
posso aceitar mas não posso retribuir, e aceito porque sei que te faz bem, sua natureza são seus sentimentos.
minha natureza é meu espírito, e eu sinto coisas estranhas, que me deixam muito fraca, a poluição, a poluição que é ser, e ser humano, e não
ser feliz.
felicidade só aqui na Terra.
quando reconheço um irmão no olhar eu não controlo o coração
sensibilidade de reconhecer está na água
na mente a gente esquece porque precisa esquecer, mas no espírito fica.
eu sinto tanta dor de saudades, escrevi tanto aqui sobre isso, talvez eu goste, mesmo hoje eu ainda sinto,
a água, a dor, o prazer e a plenitude
eu quero, eu te quero, e não te quero, não te posso querer, me esqueço, 
depois me lembro, e sinto e eu gosto quando eu sinto
mas não tenho mais lágrimas nos olhos,
quanta falta elas me fazem ...

sábado, 12 de março de 2011

Cavaleiros da minha vida


Acho tão bonito o amor de Lancelot e Guinevere. Ela, indefesa e submissa, mas ao mesmo tempo forte e até vingativa. Uma grande rainha, uma grande mãe. 
Mas não, definitivamente não me identifico, apesar da história do amor proibido, proibido e correspondido, bonito demais coisa de pessoas que gostam de pessoas, coisa de pessoas dispostas a se igualar as outras.
Guinevere tinha muita fé, e muito medo, ela precisava ser protegida, como no fundo toda mulher precisa mas poucas admitem. Em troca ela tinha o dom do amor. A proteção materna e virtuosa. Todos os homens desejam, mas poucos compreendem.
Eu queria ser Guinevere e ter meu Lancelot mesmo que impossível, mesmo que por causa dele a fogueira fosse meu destino. Nessa vida sou Morgana das fadas.
Aquela que teve que viver sozinha, aquela tão ligada a outros mundos que não conseguiu viver o aqui e o agora, por mais que pareça que tenha vivido.
A força de Morgana era muito mais evidente. Manipulava. Era justa, era sábia, era forte. 
Lancelote a admirava e a temia, por isso preferiu Guinevere. 
Morgana era inatingível.
Morgana também tinha muita fé, e pela sua fé ela viveu e morreu.
Morgan Le Fay by Frederick Sandy
Encontrei meu querido Arthur, e ele é realmente tão justo quanto diz a lenda. Lancelot tem aquele olhar particular, meio louco e muito sábio. Olhar de quem já viveu muito. 
Encontrei recentemente o Kevin da minha vida, e ele é assustadoramente igual a descrição, e também já encontrou sua Nimue.
Em outra história eu vivi como Guinevere e Lancelot. Acho que coisas assim não se repetem, por isso só posso continuar sendo Morgana.

terça-feira, 1 de março de 2011

muitos nãos

E eu que nem gostava do radiohead me apaixonei pelo último album.
Não consegui o estágio que eu queria. Perdi energias demais. Não fiz nada do meu PIBIC.
Aquele homem que eu achei que amava não entendeu que não tinha nada a ver com meus sentimentos.
Perdi uma boa parte do meu otimismo. O que eu acredito não faz mais o mesmo sentido.
É uma época de mudanças. Sei que escrevo muito mal. Tomo café demais
Nem gostei tanto quanto todos de Black Swan e foi a mesma coisa com a Amélie. Eu não estou tão feliz quanto deveria.
Tudo que eu quero é tão simples que fica complicado. Nem amor eu pedi e me foi dado.
Comecei a ler cinco livros, gostei de todos, mas não consigo terminar nenhum.
Ainda escuto Los Hermanos todos os dias. Não me lembro qual foi a última vez que derramei uma lágrima.
Não suporto o cara que senta do meu lado.
Quando escrevo me lembro de Cecilia, mas gostaria de ser a Clarice.
Me surpreendo ao ler tantos "nãos" nesse texto.
Queria escrever sobre design mas não me sinto capaz. Escrevo tão mal.
Hoje não vou atender esses telefones.
As vezes eu acho que Freud é que estava com a razão.
Quero me vestir igual a Diane Keaton em Anne Hall.
Vivo intensamente porque estou entediada. Odeio ar condicionado.
Aquela carta da torre mexeu mais comigo que a carta da morte.
Vou com tanto cuidado porque não quero que você fique comigo por anos sem nunca ter estado.
Te mostrarei meu verdadeiro rosto. Terei que arrancar sua máscara a força, e todo seu pudor junto com ela.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

sobre o blog

Eu realmente gostaria de ter feito mais posts sobre idéias, pensamentos, sei lá, qualquer coisa menos pessoal.
O número de pessoas que tem me visitado está sendo surpreendente, porque meu estilo, extremamente otimista e romântico surpreendentemente ainda interessa muito às pessoas.
Tudo bem que, quando eu atualizo publico no facebook e no twitter, mas não é mais nenhuma novidade, meus contatos (que não são muitos) já conhecem o blog, então percebo que os mesmos visitantes voltam a cada post. Muita gente vem me dizer que gosta da forma como escrevo, e acho que assim eu estou conseguindo compartilhar esses sentimentos, tão intensos e humanos.
É  reconfortante saber que outras pessoas se sentem, ou já se sentiram, do mesmo jeito, e é gratificante fazer com que os leitores sintam esse conforto.
Também foi uma maneira de manter alguns laços, escrevendo pra que algumas pessoas, mesmo distântes pudessem saber de mim, pois penso que eu ficaria feliz se pudesse saber delas.
Agora sobre a vida, acho que está desnecessariamente tumultuada, e eu tenho piorado as coisas nos últimos dias, com atitudes inconsequentes que não me acrescentam nada, talvez por insatisfação ou pura ansiedade, ou talvez eu esteja tentando preencher a parte que falta com coisas vãs. É, acho que sim...
Acho que o caminho não é só ser menos pessoal aqui, mas tentar acalmar as coisas.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

coisas, coisas

Resolvi escrever alguma coisa hoje, depois de tanto tempo, eu ainda prefiro as palavras às imagens, eu penso muito, o tempo todo, mas acho que nessas férias consegui dar uma desacelerada.
Estive na praia há alguns dias atrás, e foi legal, sai com meus primos de 16 e 17 anos que queriam companhia pra sair a noite, aí mandaram eu sair com eles, eu achei legal, gosto deles. No dia seguinte fomos tomar sorvete, eles, eu e minhas primas de 10 e 12 anos, me senti muito velha no meio deles, mas o mais legal de tudo isso é que eu tenho muito assunto com eles, e com os pais deles também, consigo conversar com pessoas de todas as idades, descobri isso e achei meio doido, mas legal!
Mudei o cabelo, cortei e alisei, e vou pintar, não vou descrever o corte, pra isso uma imagem é melhor e qndo meu cabelo estiver decente (ele tá parecendo uma peruca agora) eu posto fotos :)
Ontem eu participei de uma manifestação contra o aumento da passagem de ônibus, sempre  
achei a causa muito válida e importante, desde da época que eu estava no ensino médio. Eu estudava na Tupy e em frente ao terminal de ônibus da Tupy os estudantes faziam manifestações, naquela época eu vi a polícia agredir e prender manifestantes, os estudantes da Tupy eram proibidos de participar do ato pela escola, que ameaçava os alunos mesmo estando fora dos muros da Sociesc, o que é um absurdo, mas aquela escola é absurda.
Na manifestação de ontem eu achei muito interessante o apoio da polícia, o carro da polícia ia à frente, abrindo caminho para a manifestação que fechava as ruas, aproximadamente 170 pessoas diz o blog do MPL, mas eu tive a impressão de ter mais gente.
Eu acho complicado participar do movimento porque ele parece inacessível aos mais interessados, acho que as pessoas comuns se sentem intimidadas, eu me sinto um pouco intimidada, sob os olhares arrogantes, não de todos é claro, mas existe uma certa hostilidade, o que na minha opinião é o maior problema que faz com que poucas pessoas participem, e eu já conversei com muita gente que tem a mesma opinião.
Não sei se eu vou na "reunião de novos membros", eu não sei se quero ser um membro, mas com certeza vou na próxima manifestação terça, e vou convidar quem eu puder, porque a causa é muito importante. Masss não tenho mais paciência pra ficar discutindo o capitalismo, aliás, hoje eu sei que nós temos o que somos, uma sociedade é composta por indivíduos, e é claro que indivíduos ruins vão formar uma sociedade ruim, não adianta falar em mudar o sistema antes de mudar as pessoas, não funcionaria, por isso que Jesus diz que só os bons vão pro "céu", nesse ponto eu concordo come ele, é impossível querer uma sociedade melhor com pessoas ruins, e obrigando-as a serem boas cometeríamos o mesmo erro de Cuba e da URSS, tá me empolguei osaiaosiopa


Falei muito hoje, pra compensar o tempo que eu fiquei sem escrever, espero que alguém se interesse de ler até o final, e estejam a vontade pra comentar, discordar ou concordar!







quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

é deus, parece que vai ser nós dois até o final

hoje é um bom dia nublado e bonitinho, não consegui dormir meu sono da tarde. tem uma cadelinha aqui no meu quarto, bem quietinha, talvez um pouco triste de saudades da dona, mas a gente se deu bem ...
hoje eu queria escrever aqui sobre design, sobre assuntos verdadeiramente úteis, mas infelizmente hoje não existe inspiração pra nada mais além dos meus sentimentos, não quero rimar, não é uma poesia, é só um expressar
hoje eu tô aqui no meu quarto ouvindo o marcelo camelo cantar, as músicas do cd que dei de presente de aniversário pra bia huk, e não tinha ouvido, mas descobri que eu já conhecia as músicas.
hoje eu percebi que eu escrevo muito sobre amor, as vezes eu chamo de ego e as vezes de viajem, mas é tudo amor mesmo, e é sincero, é simples assim, estou aprendendo como se faz isso direito e é por isso que eu escrevo.
hoje a noite eu vou no gutz, encontrar meus amigos de muito tempo atrás, eu não sei se tenho saudades, tenho um pouco de dor já superada, tenho orgulho de mim, e nenhuma opinião sobre eles, isso é bom, é parte do aprendizado não ter opinião sobre as pessoas.

liberdade é uma música muito linda, talvez o marcelo camelo seja mesmo mais foda que o amarante






terça-feira, 7 de dezembro de 2010

A comunicação muda

 

O que nos salva da solidão é a solidão de cada um dos outros.
Às vezes, quando duas pessoas estão juntas, apesar de falarem, o que elas comunicam silenciosamente uma à outra é o sentimento de solidão.
 
Clarice Lispector