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domingo, 27 de maio de 2012

amar amores imaginários

conhecer, admirar, idealizar, criar expectativas, desejar, começar, conviver, viver, se encantar, conhecer, não conhecer mais, ser traído, ser esquecido, não se importar, não ser mais admirado, se cansar, se acostumar e ver o outro se acostumar, ter um filho, não se importar, dormir, permanecer, ou mudar e começar de novo, ou continuar e apenas viver aceitando o fato de que nunca vai mudar.


conhecer, admirar, idealizar, criar expectativas, desejar, começar, jamais conviver, se encantar, se afastar, escrever, procurar respostas, ler poesia, procurar motivos, entender, se afastar, acompanhar pelas vitrines, sonhar, acompanhar pela janela, sonhar, idealizar, amar, amar amores imaginários. 



sábado, 14 de abril de 2012

Queridas amigas

Minhas pequenas atrizes, cada uma a sua maneira
entre a angústia da dor ou da falta dela
fugindo e buscando amor
nos lugares mais profundos da alma 
no limiar raso do corpo
é quase masoquismo.
Estamos todas perdidas.
Eu queria poder proteger todas nós, como uma mãe faz com as filhas
eu queria que dependesse só mim
porque ninguém merece ser mulher
porque é lindo
mas não é compreensível, nem aconselhável
não é nem um pouco prudente nascer mulher nesse planeta de homens
não que eu não goste dos homens
mas sinto que o mundo está homem demais, e um homem machista.
Os homens precisam agir como homens para serem respeitados.
As mulheres precisam agir como homens para serem respeitadas.
Não tem nada a ver com feminismo
é só sobre poder abstrair sem ser mal julgada e condenada
é só sobre essa necessidade feminina de acreditar nos sonhos
que envergonha todas as pessoas.

Beautiful


But everyone she knew thought she was beautiful
Only slightly mental
Beautiful, only temperamental
Beautiful, only slightly mental
Beautiful

She thought it would be fun to try photography
She thought it would be fun to try pornography
She thought it would be fun to try most anything
She was tired of sleeping

domingo, 15 de janeiro de 2012

evasão

é como parecer ser e não ser nada;
das coisas que todos querem ser, e ao mesmo tempo não querer, e não querer que ninguém saiba.
é como lutar com todas as forças sem querer vencer;
na luta do amor e da vida, a companhia dos mais queridos ver perecer, pra não deixar que ninguém caia.
é como dormir de máscara;
e não conseguir suportar o próprio orgulho, querer arrancar tudo, e se arrepender e ficar no meio termo, sem conseguir nada.
é como assistir o próprio corpo se movendo;
saber que seria ótimo estar ali, mas não conseguir voltar a tempo.
é como ter tudo tão perfeito que deixa de ter sentido;
talvez por não conseguir aceitar merecer, e querer merecer, mas não poder fazer nada sobre o não conseguir.

domingo, 1 de janeiro de 2012

Comprei um caderninho, desses sem linhas, papel envelhecido, caderno de desenhar, mas tenho certeza que vou usar muito mais pra escrever, quando eu conseguir escrever.
Talvez eu o transforme em um diário de sonhos, se eu conseguir voltar a lembrar deles...mas acho que consigo, agora que outro ano começou as coisas vão melhorar, não que estivessem ruins, sabe, acho que estava esperando ano passado acabar, não sei muito bem porque.
Teve um dia que eu decidi excluir o blog, me senti ridícula, queria parecer mais forte, menos sensível. O que eu escrevo me envergonha as vezes, porque é o que eu sinto e é tão meu que acaba sendo ridículo, platônico e impossível.
Um dia eu decidi esquecer, aconteceu sabe, arrumei muitas atividades, muitas mesmo, já não podia continuar daquele jeito, se passaram quase dois anos, é muito tempo, então resolvi esquecer mesmo, e aí eu já não tinha mais o que escrever, tentei, comecei vários textos que ficaram salvos como rascunho mas eu não posso publicar, perdi o jeito com a literatura, não são mais bonitos.
Talvez eles se tornem diretos e objetivos como este a partir de agora, talvez eles parem de vez.
Tudo que eu sei é que não posso excluir, não tenho coragem de reler, nem os textos nem os e-mails e nem de carregar a bateria do meu celular antigo pra ler as mensagens, eu nunca releio nada, desde a sétima série quando eu e minha amiga trocávamos cartas, ainda tenho todas guardadas mas não consigo reler.
E quase consegui parar de reviver os bons momentos, as vezes eu os transformo em fumaça, mas vou parar com isso também, pelo menos por um tempo, acho que vai me ajudar a lembrar dos sonhos com detalhes novamente, talvez eu até consiga ficar consciente dentro deles de novo.
Acho que esse ano vai ser bom, ainda tenho muitos planos, ainda acredito muito.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

vou até a esquina ela quer ir...pra Budapeste!

Estive em Curitiba esse final de semana, para super esperado show do Chico Buarque, que integra a turnê Chico, o título do seu novo cd lançado em julho desse ano. 
Chico esteve por 6 anos sem fazer shows, a última turnê aconteceu em 2006 com o lançamento do álbum Carioca. 
Apesar de já ter lançado mais de 40 discos, nos últimos 36 anos, Chico saiu em turnê apenas seis vezes: Chico e Bethânia (1975), Francisco(1988), Paratodos(1994), As Cidades (1999) e Carioca (2006).
Deu pra perceber que para aqueles que, como eu, acompanham o trabalho do Chico, foi um show raríssimo e muito especial.
Confesso que eu só percebi a dimensão daquele momento quando Chico entrou no palco, mais simpático e animado do que eu esperava, cumprimentou a platéia e começou a cantar. 
O Chico falando é tão bom de ouvir quanto cantando, voz grave, firme e segura, ele parecia estar muito a vontade no palco.
Pra mim, que sou extremamente cafona romântica, a parte mais emocionante do show foi quando ele cantou as 4 músicas do novo cd que estão relacionadas com o seu romance atual com a cantora curitibana Thaís Gullin. 
Essa Pequena, Tipo um Baião, Se eu Soubesse e Sem Você 2, foram cantadas na sequência, por um Chico sorridente e evidentemente apaixonado. Na música Essa Pequena, Chico brinca com a letra trocando Flórida por Budapeste "vou até a esquina ela quer ir pra... Budapeste!" denunciando os novos planos da namorada e surpreendendo a platéia, que aplaudiu contagiada pela franqueza da brincadeira.
Se Chico Buarque fosse uma cor ele seria azul, quem acompanha o Aponta deve ter percebido que essa é a minha cor preferida pra pessoas do sexo masculino. 
Chico passa uma energia boa, tranquila e forte, serena e vibrante. Aos 67 anos, canta músicas de amor sorrindo e rindo, aceitando com amor a paixão por uma mulher muitos anos mais jovem " Sinto que ainda vou penar com essa pequena, mas o blues já valeu a pena " e ele dizia que valeu a pena com muita convicção, foi lindo.

Achei que nunca fosse ver Chico cantar músicas como A Violeira, Geni e o Zeppelin, O meu amor/ Teresinha, Injuriado e Ana de Amsterdã, que são algumas das minhas preferidas, ele cantou com muita emoção, e errou algumas letras, mas acho que ninguém se importou.
No final, Chico e banda saíram duas vezes do palco, com a galera pedindo pra ele voltar, e ele voltou por duas vezes, nada que estivesse fora do previsto, pois depois as cortinas foram fechadas e as luzes acesas, pois se dependesse do público Chico continuaria cantando até não conseguir mais!
A banda também esteve maravilhosa com Luiz Cláudio Ramos (violonista e arranjador), João Rebouças (piano), Bia Paes Leme (teclados e vocais), Wilson das Neves (bateria), Chico Batera (percussão), Jorge Helder (contrabaixo) e Marcelo Bernardes (flauta e sopros), que já acompanharam Chico na turnê Carioca.

Foi emocionante, memorável, tudo de bom, agradeço por existirem pessoas como Chico Buarque, capazes de compor canções tão bonitas e sensíveis que fazem com que a gente sinta o poder que as emoções tem sobre nós, e o quanto isso pode ser maravilhoso.
E a mensagem que ficou foi "Não se afobe não, que nada é pra já, amores serão sempre amáveis..." e o Chico dá o exemplo.

domingo, 18 de setembro de 2011

esconderijo


a criatividade é recompensa, ou remédio, ou veneno, pra quem precisa suportar adversidades que vem de dentro e de fora, mas que obriga a olhar pra dentro por ser terrivelmente insuportável olhar para fora.
quando os desejos, que os românticos chamam sonhos, são infinitamente maiores que a capacidade de alcança-los, nos obrigamos a ser criativos, ou morrer de tristeza.
em uma condição onde nem mesmo a morte é permitida, por toda aquela questão da culpa, da missão não cumprida e da certeza da volta, a criatividade é a única alternativa, não é nada especial, é letárgico e ao mesmo tempo super sensível 
imaginar outras vidas tem sido exercício diário desde quando criança muito pequena, aprendi a olhar pra dentro, porque o sentimento vem sempre de dentro, mas a sensação é física, então não precisava de mais nada, não precisava ter vida lá fora, porque a vida que tinha, não me pertencia, ou talvez por arrogância eu não a queria 
a maioria de nós só existe dentro, e estamos todos sós
no mundo imaginário, todos são imaginários, menos eu e você, mas estamos destinados a nunca nos encontrarmos, pois você só existe aí, e eu só existo aqui, cada um dentro de si
da minha parte tudo que existe no mundo real são as tentativas, aqui e ali, uma vez ou outra, tento
uma vez cheguei muito perto, mas os meus ficaram com medo e voltaram pros seus lares interiores, 
se for pra ficar só eu fico só comigo, não preciso das pessoas erradas, elas só me fazem sentir vontade de fugir, pra algum esconderijo.


esconderijo: é o lugar criado pelo ser humano ou por outro animal para se esconder de algo ou de algum perigo. 
animais que se utilizam de esconderijo são as aranhas, os ratos, os répteis.
na guerra do Vietnã os esconderijos foram utilizados pelos vietcongs, para fugir das tropas americanas.

sábado, 17 de setembro de 2011

17 - 09 - 2011

O sol em virgem tem sido inspirador pro meu inconsciente 
estava um homem em sua casa bonita, com sua esposa e filho, brincando na piscina
o homem jogou a criança na água, brincadeira normal de pai e filho
mas tinha ilhas de concreto na piscina e a criança, de aproximadamente sete anos de idade, bateu a cabeça em uma dessas ilhas de concreto, e quebrou a ilha
não teve nenhum machucado aparente, mas chorou, e o pai o repreendeu por isso
depois estava esse mesmo pai, com este filho, e eu, e mais duas crianças menores,
as crianças eram uma menina e um menino, o menino devia ter seus seis ou sete anos, a menina era um pouco mais velha com aproximadamente nove anos, eu devia ter entre doze e quinze e ia caminhando ao lado do pai do garoto
"você já iniciou garotos menores" disse o homem a mim, que protestava a iniciativa dele, que no sonho eu sabia bem
chegamos a um lugar que era tipo uma gruta, onde passávamos por um túnel de pedra e chegamos a câmara principal, 
o homem revelou que, pelo que entendi teria algum ritual sexual e depois ele ia nos oferecer em sacrifício para algum deus
corri o máximo que pude com as duas crianças atrás de mim, apenas o filho do homem ficou no lugar, conformado com seu destino de animal de sacrifício, pois o pai provavelmente já o tinha preparado
tinha guardas na porta, consegui passar por eles, mas os meus dois companheiros não
o homem era muito rico e poderoso, e mandou todos os seus capangas atrás de mim, eles estavam em todos os lugares possíveis, não podia ir a policia, pois ele controlava os policiais, mas felizmente eu tinha família e muitos amigos
fui a um shopping da cidade, com o objetivo de me misturar as outras pessoas e confundi-los, nesse shopping encontrei um homem muito grande e negro, que pelo que entendi era meu namorado,  e ele era da policia ou algo assim, e já sabia que eu estava sendo procurada
fomos a uma livraria no shopping e nessa livraria encontrei outros amigos e pessoas da minha família
planejávamos ir para minha casa, mas no caminho percebemos que tinha vários homens patrulhando a rua principal que levava até minha casa, eles revistavam todos os carros
meu padrinho quis que eu fosse pra casa dele, mas o caminho também podia estar sendo vigiado, então fui para casa de um amigo que era perto de onde estávamos
nessa casa permaneci com meus amigos, tinha muitas pessoas, muita gente sabia que eu estava ali
a noite meu namorado tinha mudado, se transformou em um menino bonito, mas gordinho, e não tinha mais nada a ver com o negro forte alto e mais velho que eu havia encontrado no shopping, não sei se era a mesma pessoa que mudou, como mudam as vezes nos sonhos, ou se era outro
mas estávamos ali, no que seria muito provavelmente minha última noite, eles me descobririam logo
lembro que fui dormir em um sofá junto com o menino, e naquele sofá tivemos um primeiro, último e único físico ato de amor, 
quando ele dormiu fiquei observando-o, ele dormia abraçado as minhas pernas, e eu tinha certeza que aquele garoto me amava, não senti mais medo
uma tranquilidade boa me acompanhou até amanhecer


quinta-feira, 15 de setembro de 2011

15 - 09 - 2011

morávamos em uma fazenda onde criávamos entre outros animais, ovelhas
e eu era responsável por tomar conta de rebanho de ovelhas filhotes
meus pais eram os mesmos, mas eu tinha um irmão, que era meu primo, e talvez outros que não posso me lembrar com clareza agora
uma das ovelhas ficou para trás, e não sei porque, mas nós sabíamos que isso significava o fim do rebanho inteiro
veio o lobo
corremos pra pegar a arma, meu irmão não a encontrou
eu fui procurar desesperada mas não a encontrei
minha mãe se lembrou que tinha escondido a arma, para que nenhum de nós se machucasse
enquanto procurávamos a arma o lobo se alimentava da carne das queridas e pequenas ovelhas
deixei meus pais a procura da  arma e sai correndo para o pasto
vi as pequenas todas juntas, tentando se esconder atrás de uma pedra, e o lobo, depois de devorar sua mais recente vítima, se aproximava para atacar a próxima
não me contive
peguei a pequena ovelha que caiu da pedra e a juntei com as outras, e me atirei sobre elas em um abraço para protege-las
senti o lobo me atacar pelas costas
foi aí que acordei com um grito e enquanto acordava podia sentir ainda em minhas mãos, não sei se era o pelo do lobo, ou a lã das ovelinhas filhotes que eu deveria cuidar
andei pela casa, pensei sobre o sonho e fiz um café
voltei para cama e adormeci pensando ainda no sonho
pra minha surpresa consegui voltar
voltei para mesma de fazenda, onde morava com meus pais e irmãos
pelo que entendi eu fiquei um tempo desacordada depois do ataque do lobo, mas alguém chamou a polícia, e me disseram que finalmente o lobo estava morto
levantei e fui conferir
encontrei o lobo, que não era mais um lobo, mas sim um cachorro daqueles que parecem lobo, e ele estava me olhando com expressão de dor, mas ainda com vida, com uma bala de espingarda na cabeça esperando pela morte
não pude suportar a cena 
chamei meu pai, e pedi que não deixasse o animal sofrer
ele terminou o serviço
encontrei depois uma espécie de arame muito comprido, que me disseram que a polícia usou para puxar o lobo pra longe de mim e das ovelhas
aquilo me pareceu mais um instrumento de tortura
fui até os policiais que tinham construído um acampamento ao lado de nossa fazenda, saber detalhes sobre a morte do lobo
a única coisa que soube foi que todos eles, junto com minha família, planejavam festejar a morte do lobo
não compreendi o que havia para festejar, o lobo estava morto, a maior parte das ovelhas do rebanho dos filhotes estava morta, e eu estava ferida no corpo e na alma por ter visto tanta dor e tanta morte.


sexta-feira, 8 de julho de 2011

atemporal

ontem,  há mais ou menos um mês, um ano, três anos, algumas vidas ... muito além do que minha memória esquecida é capaz de lembrar.
mas coração de peixes nunca se esquece, ou se engana. coração de peixes sente em mim e em você.
descontraída e feliz. não poderia estar diferente na tua presença branca quase azul, azul cor de jeans.
seus olhos vieram do mar. seus gestos femininos se fossem masculinos não teriam o dom de me tocar. eu sinto a paixão.
igual.
não precisa falar nada ou se preocupar com meus devaneios, na verdade não é importante.
nada tem sido importante, mas eu gosto de romance. a vida é chata.
tinha que ser com você meu amor quase platônico. só assim poderia ser romântico.
não tente entender, não se sinta mal. se sinta bem, porque de você eu só quero coisas boas
coisas boas e físicas. deixamos o amor pra bem longe daqui, pra outro lugar, outro mundo
deixamos o amor pra aquário meu amor
me deixa sofrer em peixes, pode vir junto se quiser.
eu não fujo mais. se você for eu também vou. 
mais que isso, eu te convido 
vamos?
não tenho medo de nada, nem do caos. 
o caos reina, disse a raposa
fica comigo, me faz sentir segura por algumas horas, e completamente perdida por todas as outras.
eu sei como é. sou obrigada a ver todos os dias o rosto do meu antigo algoz e ignorar.
vem aqui, me faz sofrer. só que você vai sofrer também, talvez até mais.
mas não consigo acreditar que exista alguém que não goste. 
vida sem dor é como morte
ainda não chegou a hora da morte, então vem aqui e me faz sentir viva.
como você sempre fez meu amor
não aguento mais viver como se 
estivesse morta.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

nada

não importa nada
nada é uma palavra pequena e bonita
eu fico aqui imaginando como seria o nada
queria que existisse nada
pra acabar com esse tudo
que tem sido a vida nesse lugar pesado
onde as pessoas são pesadas 
de coração e de alma
quero carregar todos pro meio do nada
onde vamos chorar juntos toda nossa mágoa
onde vamos compartilhar toda a dor de ser tudo sabendo que é lindo ser nada
é verdade
eu me encanto por pessoas tristes e falhas
mas eu amo pessoas que desejam  nada
porque eu desejo o nada
mas nada é desejo no nada
no nada
nada é nada