Mostrando postagens com marcador sustentabilidade. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador sustentabilidade. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Chronic dissatisfaction

Hoje o mundo nos permite várias possibilidades, em muitos sentidos. Talvez esse ambiente favorável a mudanças tenha causado um sentimento de indecisão que nunca passa no coração das pessoas.
Depressão, ansiedade, pânico: os males modernos. Talvez esse clima de tensão, e esses novos (ou não) sentimentos sejam conseqüência da falta de limites. Não que eu seja a favor de limites, muito pelo contrário, mas, como tudo, mesmo a liberdade pode ter seus efeitos ruins.
A busca por algo ou alguém é constante, mas nunca nos sentimos completos.
Uma mulher mais jovem, uma casa maior, uma religião que faça mais sentido, um emprego que pague mais.
Nossa gula por novidade fez com que nos tornemos parasitas do mundo e de nós mesmos.



insatisfação crônica



sábado, 12 de fevereiro de 2011

CAÍ NO MUNDO E NÃO SEI COMO VOLTAR


Eduardo Galeano

O que acontece comigo é que não consigo andar pelo mundo pegando coisas e
trocando-as pelo modelo seguinte só por que alguém adicionou uma nova função
ou a diminuiu um pouco.?

Não faz muito, com minha mulher, lavávamos as fraldas dos filhos,
pendurávamos na corda junto com outras roupinhas, passávamos, dobrávamos e
as preparávamos para que voltassem a serem sujadas.
E eles, nossos nenês, apenas cresceram e tiveram seus próprios filhos se
encarregaram de atirar tudo fora, incluindo as fraldas. Se entregaram,
inescrupulosamente, às descartáveis!

O que o celular a cada três meses ou o monitor do computador por todas as
novidades. Guardo os copos descartáveis! Lavo as luvas de látex que eram para usar uma
só vez. Os talheres de plástico convivem com os de aço inoxidável na gaveta dos
talheres! É que venho de um tempo em que as coisas eram compradas para toda
a vida!

É mais! Se compravam para a vida dos que vinham depois! A gente herdava
relógios de parede, jogos de copas, vasilhas e até bacias de louça.

Nos estão incomodando! Eu descobri! Fazem de propósito! Tudo se lasca, se
gasta, se oxida, se quebra ou se consome em pouco tempo para que possamos
trocar.
Nada se arruma. O obsoleto é de fábrica.
Aonde estão os sapateiros fazendo meia-solas dos tênis Nike? Alguém viu algum colchoeiro encordoando colchões, casa por casa? Quem arruma as facas elétricas? o afiador o  eletricista? Haverá teflon para os funileiros ou assentos de aviões para os talabarteiros?

Tudo se joga fora, tudo se descarta e, entretanto, produzimos mais e mais e
mais lixo. Outro dia, li que se produziu mais lixo nos últimos 40 anos que
em toda a história da humanidade.
Quem tem menos de 30 anos não vai acreditar: quando eu era pequeno, pela minha casa não passava o caminhão que recolhe o lixo! Eu juro! E tenho menos de ... anos! Todos os descartáveis eram orgânicos e iam parar no galinheiro, aos patos ou aos coelhos (e não estou falando do século XVII). Não existia o plástico, nem o nylon. A borracha só víamos nas rodas dos autos e, as que não estavam rodando, as queimávamos na Festa de São João. Os poucos descartáveis que não eram comidos pelos animais, serviam de adubo ou se
queimava.

Minha cabeça não resiste tanto. Agora, meus parentes e os filhos de meus amigos não só trocam de celular uma vez por semana, como, além disto, trocam o número, o endereço eletrônico e, até, o endereço real.
E a mim que me prepararam para viver com o mesmo número, a mesma mulher, a
mesma e o mesmo nome (e vá que era um nome para trocar). Me educaram para guardar tudo. Tuuuudo! O que servia e o que não servia. Por que, algum dia, as coisas poderiam voltar a servir.

Como querem que entenda a essa gente que se descarta de seu celular a poucos meses de o comprar? Será que quando as coisas são conseguidas tão facilmente, não se valorizam e se tornam descartáveis com a mesma facilidade com que foram conseguidas?
Eu sei o que nos acontecia: nos custava muito declarar a morte de nossos objetos. Assim como hoje as novas gerações decidem matá-los tão-logo aparentem deixar de ser úteis, aqueles tempos eram de não se declarar nada morto: nem a Walt Disney!!!
E me mordo para não fazer um paralelo entre os valores que se descartam e os que preservávamos. Ah!!! Não vou fazer!!!
Morro por dizer que hoje não só os eletrodomésticos são descartáveis; também o matrimônio e até a amizade são descartáveis. Mas não cometerei a imprudência de comparar objectos com pessoas.

Esta só é uma crônica que fala de fraldas e de celulares. Do contrário, se misturariam as coisas, teria que pensar seriamente em entregar à bruxa, como parte do pagamento de uma senhora com menos quilômetros e alguma função nova. Mas, como sou lento para transitar este mundo da reposição e corro o risco de que a bruxa me ganhe a mão e seja eu o entregue...

* Jornalista e escritor uruguaio

domingo, 12 de dezembro de 2010

High Tech High Green

High Tech High Green on Vimeo


Fred Gelli falando sobre tecnologia e sustentabilidade, sou fã desse cara! 
Pessoas como ele ajudam a mudar o mundo através do design.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Agora vou falar de design

Sábado passado estive na bienal do Design em Curitiba, e entre muitas coisas interessantes encontrei as embalagens de margarina, essa (abaixo) da margarina Cyclus, projeto de Hélio Issamu Kinoshita e Luiz Rogério Marroni/ Bunge, Gaspar, SC.
Essa embalagem utiliza o PLA um tipo de plástico biodegradável, que em contato com umidade, microorganismos e temperatura adequada se degrada em até 180 dias, sendo completamente sustentável, pois o PLA é um plástico derivado do milho, que é feito a partir de um processo de fermentação e destilação.
E a Bünge foi à primeira no Brasil a comercializar um produto com esse novo material, que foi utilizado pela Coca-Cola nos copos dos jogos da copa do mundo de futebol, e já é utilizado substituindo os filmes que revestem o pão na Europa.



Há algum tempo eu li uma reportagem em uma revista de plásticos sobre as vantagens do PLA (estava fazendo um trabalho sobre design sustentável), então liguei para um fornecedor de plásticos nacional, e perguntei o que ele pensava sobre o PLA, ele disse não existir tecnologia pra isso ainda no Brasil, o cara era engenheiro de plásticos, mas acho que estava mal informado, pois a Iraplast/Cereplast já produz o PLA no Brasil, e fornecem para a Bünge.
O único inconveniente do PLA é o preço, ainda muito acima dos plásticos comuns, mas acredito que em breve ele terá de ser muito utilizado, e o seu preço vai cair.


Outra embalagem muito legal foi a Doriana Reutilizável, Design: Usina de Desenho de São Paulo, SP


Um pote transparente, com um selo plástico em volta que contem a parte gráfica da marca, retirando esse selo ela pode ser usada pra armazenar outros alimentos, como muitas pessoas já fazem com potes de margarina.
Achei legal, não tão sustentável quanto a Cyclus, mas bem útil, pensaram em promover uma coisa que as pessoas já faziam naturalmente, segunda a pesquisa deles: 94% dos consumidores de Doriana reaproveitam o pote como recipiente multiuso. Assim fica fácil fazer design! Mas foi boa a idéia de promover isso.



Não existe espaço no mundo pra tanto lixo, e é função do designer pensar em como fazer pra parar de gerar lixo, reciclagem não é mais a solução, nem tudo pode ser reciclável, e o que é reciclável na maioria das vezes perde seu valor, e mesmo não perdendo o valor e sendo reciclável não temos como garantir que de fato será reciclado.
Por isso é importante buscarmos novas alternativas, como reutilização, materiais biodegradáveis e retornáveis.
E tentar colocar esses princípios  em tudo o que for projetado, o design sustentável tem que estar em tudo que é produzido, e eu não acho que isso seja utopia, um mundo utópico é um mundo que sempre tem espaço pra mais umas toneladas de lixo, utópico mesmo, não existe esse mundo.

E a Doriana e a Cyclus são bons exemplos de como fazer isso.